O amor nos oferece e retira destinos
Você está meio perdido/a, num bairro desconhecido, sem mapa na mão, precisa chegar urgente em algum lugar, e está diante de uma bifurcação, sem saber se pega a direita ou a esquerda.
Se você não perguntar a ninguém onde está ou como chegar ao seu destino, para qualquer direção que você vá terá que pagar o preço da escolha. Se acertar, ok; se errar, ok também. O lugar pode não ser aquele que você esperava, talvez pudesse ser melhor, ou melhor seria - você pensa - se você tivesse não desejado ir a lugar algum. Mas você precisou escolher. E escolheu.
Com o amor é mais ou menos assim. Você tem apenas seus próprios recursos, precisa escolher, e ora acerta, ora erra, mas sempre tem que pagar o preço da escolha. E não tem volta. Uma vez que você tenha escolhido, o tempo e o esforço foram gastos na sua escolha, e para voltar é tarde demais. Então o que importa é saber medir as consequências de seus atos nessa escolha feita, e aproveitar ou não o que você tem nas mãos. Ou decidir sair de novo à cata de mais alguém.
No caso do amor, a escolha leva-nos rumo a universos e mundos que mudam, e que nos mudam completamente. Dai que nunca mais seremos aquele sujeito que escolheu la atras, e que escolheu bem ou mal. Ate porque nao existem bem ou mal. Simplesmente escolhemos e pegamos o que conseguimos, e pagamos o preco da escolha. Somente isso.
Dai que quando escolhemos consideramos que o que fizemos foi o nosso destino. Quando olhamos para tras nao nos reconhecemos mais quando antes de termos escolhido, e consideramos que o que passamos posteriormente estava la nos esperando, quando muitas vezes nao foi assim. A gente apenas se virou com o que tinha em maos. E consideramos isso, essa consequencia, nosso destino.
Mas nos sabemos que nao precisaria ter sido assim. Podia ter sido outra escolha, podia ter sido outra rua, podia ter sido outra pessoa, podiam ter sido outros traumas, poderiam ter sido outras dedicacoes. Tudo poderia ter sido diferente.
MAS NAO FOI. Por isso, nos sentimos que o que escolhemos estava la. Porque nos mudamos quando encontramos o que encontramos, e sentimos que sem a pessoa com quem demos certo ou nao nao teriamos sido a pessoa que nos tornamos. Por isso tambem sentimos que nao somos mais nos mesmos sem essa pessoa, mesmo que tenha sido uma ma licao. Por isso, tambem, nos sentimos que meio que nos prendemos a ela, e que nao conseguimos mais viver livremente como antes. Porque nos fechamos com um destino.
Quando o que aconteceu na verdade foi que, na hora de escolher a rua, escolhemos determinada rua e nao outra. So isso.
A consequência
Agora que sabemos que tudo nessa escolha é fácil - e ao mesmo tempo difícil - podemos entender por que hoje, na segunda década do segundo milênio de nossa era, a maior parte das pessoas quer e oferece apenas sexo ou relacionamentos casuais.
Por quê? Porque com o relacionamento amoroso a gente muda, e com esses arremedos não. E o que é mais vendido atualmente? O fato de podermos ser o que quisermos, independente dos outros. E o amor aparece então como amarra. "Logo agora, que estou me sentindo eu mesmo/a, terei de mudar por outra pessoa?" Por isso a maior parte desiste, e não quer.
Amor não significa que você mude no contato com outra pessoa. Significa que quando ele ocorrer, e for de verdade, depois você não irá mais propriamente se reconhecer. Irá ser outra pessoa, e talvez mais alquebrada do que teria desejado, ou talvez totalmente nova, ou totalmente destruída. Mas não será a mesma.
E isso é difícil de querer, de aceitar e até mesmo de suportar.
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